sábado, 6 de novembro de 2010

Sim, a mulher pode!

SIM, A MULHER PODE!

No último domingo, dia 31 de outubro de 2010, nosso país vivenciou um fato ímpar em nossa historia: elegeu a primeira mulher para o cargo máximo da República - o de presidente.



Grande é minha alegria porque eu participei efetivamente dessa conquista, eu e mais 55.752.528 milhões de pessoas - mulheres e homens, jovens e idosos, todos unidos na mesma esperança de dias ainda melhores. Esta eleição, legítima e democrática, por si só já demonstra que podemos almejar uma sociedade onde todas e todos serão tratados com igualdade de direitos e de deveres. Ao levantarmos a bandeira da igualdade de gênero com o fim do patriarcalismo não estamos negando as diferenças - elas existem! Mas diferença não pode e não deve ser sinônimo de desigualdade.
Viva a diversidade!
Abaixo a desigualdade!

Mas como dizia: esta eleição 2010 marca a historia de nosso país e de todo o mundo. Não podemos esquecer, contudo, dos séculos de abuso, invisibilidade e silencio que abatem as mulheres em toda nossa historia: ainda continuamos a receber menos do que os homens, mesmo ocupando os mesmos cargos e detendo as mesmas responsabilidades; ainda continuamos a ser minoria na chefia de empresas e órgãos públicos; ainda continuamos a ter uma jornada dupla (e até mesmo tripla) de trabalho, pois os cuidados com a casa e a familia continuam sendo encarados como de responsabilidade única e exclusivamente feminina. Diante de tudo isso, a Presidente eleita da República Federativa do Brasil - a Exma. Sra. Dilma Vana Rousseff - que sofreu e sofre na pele os sabores e desabores de ser mulher, brindou-nos no seu primeiro pronunciamento como presidente eleita com o reconhecimento dessas dificuldades mas exaltando a capacidade feminina de superação dos obstáculo.
Disse ela:

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil. É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade. A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, A MULHER PODE! Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania.

SIM, A MULER PODE!
Mulheres de todo Brasil, conclamo-vos a repetir essa frase a cada vez que as dificuldades do dia-a-dia ameaçarem vos derrubar: SIM, A MULHER PODE! Já podemos e fazemos há muito tempo. As tarefas mais corriqueiras inerentes a vida pública, como dirigir carros, comandar empresas ou dar ordem a subordinados, muitas vezes, transformam-se em verdadeiras odisseias pois, para muitos homens, e mesmo mulheres impregnadas do machismo disseminado em nossa sociedade, ainda é custoso e desagradavel conferir poder a uma mulher. Essa eleição assinala uma mudança mas não podemos jamais baixar a nossa guarda para não perdemos os avanços alcançados. Por si só, essa eleição não resoloverá os problemas que ainda temos mas é um marco para o aprofundamento das mudanças.
Um grave problema para as mulheres de nosso país é a violencia. Sabemos muito bem que a violencia contra a mulher não é apenas física mas, também e sobretudo, psicológica e simbólica - sendo esta última a pior de todas por ser a mais dificil de ser identificada. Muitas mulheres sofrem em silencio, caladas, sem ao menos reconhecer que estão sendo violentadas.Mulheres: nunca mais permitam que ninguém diga a vocês que são incapazes, incompetentes, imprestaveis; nunca mais permitam que homem algum espanquem vocês; nunca mais permitam que as façam de objetos.
Mães: valorizem suas filhas e ensinem-nas a se valorizarem.
Mas o mais importante: não podemos reproduzir, jamais, o modelo de submissão e desigualdade de gênero perpetrado pelo patriarcalismo ao longo da historia.
Devemos, todas nós, sermos agentes da mudança, para a implantação de uma sociedade mais justa e igualitaria, em todos os niveis.
Utopia?
Sonho delirante de uma militante de esquerda?
Não!
Apenas o desejo mais premente de um coração patriota e apaixonado pelos ideais ilumministas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Sim! Acredito que uma mudança social sem precedentes vem acontecendo no Brasil, noss últimos 8 anos do governo do Presidente Lula. Sim! Acredito que essa mudança continuará acontecendo e, como bem disse Dilma no dia do lançamento de sua campanha, com alma e coraçã de mulher.
Mas devo lembrar aqui que a responsabilidade de Dilma Rousseff é monstruosa: ela não pode apenas ser uma chefe de Estado, com o direito de errar como muitos outros homens. Cada erro dessa mulher será visto como erro de uma mulher e não apenas como um erro de um chefe de Estado. A cada erro, seu gênero ser lembrado, assinalado e culpabilizado. Mas mesmo isso trará a nossa nação um amadurecimento demeocrático sem igual em nossa historia. E já estamos começando bem pois já temos o reconhecimento de que sim, a mulher pode!